É bom demais reunir as filhas de D. Nenem. E melhor ainda quando é na minha casa. E juntar as quatro irmãs, que não é fácil, mas são momentos inesquecíveis, engraçados, e raros. Todos nós temos problemas, responsabilidades, vitórias, e o que é melhor; quando uma diz "boca de forno", sempre sobra um tempinho para um encontro informal. Conversamos de tudo com acompanhamento de um prato escolhido por todas, e como ninguém é de ferro uma bebidinha à moda da casa. Aí sim, as lembranças afloram, da infância, da casa materna, dos romances de adolescência, e da mãe Nenem. É bom lembrar da mãe, que deu o sangue,e suor para fazer -nos estudar. Dizia também que a honestidade deveria ser o lema de todos nós seus filhos. Éramos sete filhos que carregariam a marca registrada da família e que levaríamos avante a bondade com que ela criou seus rebentos. Mesmo tendo sofrido a ausência do homem amado, muito cedo, não impediu que o bom humor e a alegria,pautassem seus dias de luta diante das dificuldades, de sustentar uma família, onde incluía sogros pais do falecido responsável pela prole. Colocava no pedestal da família o amor aos livros, que definia o subir na vida através da leitura e do aprendizado, referindo-se a si mesmo, como exemplo de não ter crescido intelectualmente, por falta de estudos. A mãe Neném, representava o exemplo de mulher forte e corajosa, defendendo seus filhos apesar da aparente fragilidade do corpo, pequeno e franzino. Não mostrava religiosidade, mas sim uma crença imensa no ser Supremo, e nas forças Superiores a quem se apegava fervorosamente, passando para os filhos essa imensa crença, nas horas tristes e aflitas, que só as mães sabem fazer.

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