Solitude. A palavra deriva do latim"solitudo, inis", com o mesmo sentido de solidão. Tem a ver com o equilíbrio entre estar sozinho e estar na presença de outras pessoas.
Dulce era assim, gostava de sua solidão. Acostumara-se a viver com seus livros, seu cãozinho de estimação, e seu jardim. Há bendito jardim. Amava suas plantas, suas flores, seu capim. Tudo isso era seu mundo, mas o tempo nos deixa dependentes de outras pessoas, e com Dulce não era diferente, precisava de ajuda para cuidar de seu jardim. Não era grande, mas demandava de cuidados. O jeito era pedir ajuda, mesmo pagando, dependia da boa vontade do outro, é lógico. E assim foi feito. Pedira a seu amigo pedreiro, que fizesse uma limpeza em regra e chamou um carroceiro, para levar o excesso para um lugar adequado. Sabia que seus amigos lixeiros levariam mas, um carroceiro era mais adequado. Na realidade, sua porta era abençoada, sempre havia carroceiros, disponíveis, e assim sendo chamou um para efetuar o serviço. Claro que um lanchinho era adequado para aquele homem que lhe oferecia seus serviços. Muito agradável, os dois conversaram como se fossem de há muito conhecidos. Interessante como o papo se estendeu, de plantas para livros família, e claro a Pandemia. Era o assunto do momento, e mais assunto saia dos dois. Incrível saber a vida das pessoas. Claro que não era indiscrição, mas ambos tinham muito em comum. O Sr. Vado carroceiro, era homem de poucas palavras, mas muito seguro e de opinião formada a respeito do andamento do mundo. Até espiritualidade saiu na conversa de Dulce e o Sr. Vado. Ele tinha um pedacinho de terra, na cidade vizinha de São Cristóvão, sua terra Natal, onde viveu até os 12 anos. Dali fora para cidade grande com uma tia para estudar, onde permaneceu até os 20 anos, seguindo para S. Paulo com outo familiar, para. continuar os estudos. Formou-se em Professor, lecionando até se aposentar. Constituiu família, sem filhos, pois sua esposa não conseguia gestar. Voltara para tomar conta das poucas terrinha de seus pais, pois a idade não lhes permitia seguir adiante. Ali perdera todos os familiares, e seguia só na vida. Mundo estranho esse, essa afinidade com Dulce, era muito interessante, pois a mesma, também seguia só, em companhia de plantas e animal de estimação. Os papos eram esperados por ambos, que acontecia semanalmente em dias quaisquer sem marcação, pois como dizia Dulce, a vida não marca data para ser vivida.

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