Maria mãe de Jesus de Nazaré:
Os dias e as semanas, os meses e os anos passaram incessantes, trazendo-lhes as lembranças mais ternas. Surpreendia no ar aqueles perfumes vagos que enchiam a alma da tarde, quando seu filho, de quem nem um instante se esquecia, reunindo os discípulos amados, transmitia ao coração do povo as louçanias da boa Nova. A velhice não lhe acarretara nem cansaços nem amarguras. Suas meditações eram suaves colóquios com as reminiscências do filho muito amado. Embora a soledade do ambiente, não se sentia só: uma força singular lhe banhava a alma toda.
Enlevada nas suas meditações, Maria viu aproximarse o vulto de um pedinte.
- Minha mãe- exclamou o récem-chegado, com tantos outros que recorriam ao seu carinho-, venho fazer-te companhia e receber a tua bênção.
Maternalmente, ela o convidou a entrar, impressionada com aquela voz que lhe inspirava profunda simpatia. O peregrino lhe falou do céu, confortando-a delicadamente. Que mendigo seria aquele que lhe acalmava as dores secretas da alma saudosa, com bálsamos tão dulçorosos ? Onde ouvira noutros tempos aquela voz meiga e carinhosa? Foi quando o hóspede anônimo lhe estendeu as mãos generosas e lhe falou com profundo acento de amor! - " Minha mãe, vem aos meus braços!"
-"Meu filho! meu filho! as úlceras que te fizeram!...-"Sim minha mãe, sou eu!... Venho buscar-te,pois meu Pai quer que sejas no meu reino a Rainha dos Anjos..."
Maria cambaleou, tomada de inexprimível ventura.
No outro dia, dois portadores humildes desciam a Éfeso, de onde regressaram com João, para assistir aos últimos instantes daquela que lhes era a devotada Mãe Santíssima.
Maria já não falava. Numa inolvidável expressão de serenidade, por longas horas ainda esperou a ruptura dos derradeiros laços que a prendiam à vida material.
Humberto de Campos. ( Boa Nova- Humberto de Campos/Francisco Cândido Xavier )
Livro Maria Mãe de Jesus- Francisco Cândido Xavier; Ivone A. Pereira. pg 73


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